Tema Gerador
Educação Social e Reflexões com uma visão não-secular. Autoconhecimento. Inteligência Emocional. Serviço de Convivência. Esses são alguns dos nossos Temas Geradores.
domingo, 30 de setembro de 2018
Inteligência Emocional - Insegurança
Seja bem-vindo ao podcast do Tema Gerador.
O texto a seguir foi extraído de um áudio e está representado de forma a manter-se o mais fiel possível do que foi dito.
Vamos falar sobre uma coisa que afeta as nossas relações, em
diferentes níveis?
Vamos falar sobre insegurança.
Mas vamos falar sobre ela nas relações afetivas e amorosas.
Porque são nessas relações que a insegurança nos torna reféns. E faz dos outros
nossos reféns. Nós somos prisioneiros e aprisionamos os outros.
Tu já assistiu o filme “Os Croods”? É a animação de uma
família pré-histórica que vive dentro de uma caverna. O pai dessa família diz que
tudo que eles precisam tá ali dentro da caverna, e tudo que tem fora dela é
ruim, é perigoso.
Isso é a insegurança. Ela age assim. Nós criamos uma zona de
segurança. E tudo que tem ali dentro me deixa seguro. Eu coloco as pessoas que
me relaciono, de maneira mais íntima, dentro da minha “zona de segurança”.
Eu
não vou usar o termo “zona de conforto” porque insegurança não é confortável. A
insegurança não é uma zona de conforto ela é bastante desconfortável, na
verdade.
Só que a gente não tem, bem, uma consciência disso, da nossa
insegurança. Pra nós tem haver, sim, com o comportamento do outro. É o
comportamento do outro que me deixa seguro ou inseguro (dentro da minha cabeça,
né?). É o outro que tem que agir de um determinado jeito, para que eu me sinta
seguro.
Quanto mais insegurança a gente tem, menor é a nossa
capacidade de confiar. E a confiança é base, de tudo. Mas a gente também vai
distorcer a confiança. A confiança, para nós, é o lugar por onde a nossa
insegurança caminha. Onde ela habita. Pra eu confiar em alguém essa pessoa tem
que fazer o que me deixa seguro. Sempre!
Dizem que: demora uma vida inteira pra construir a confiança
e que ela pode se partir em um segundo. Isso não é confiança, é insegurança.
Sem confiança não temos espaço suficiente para o amor, por
exemplo.
Quando eu sou inseguro eu tenho um padrão de comportamentos,
pros outros, que me deixa tranquilo, e qualquer coisa que a outra pessoa faça,
que saia desse padrão me afeta, porque eu não confio no outro. Eu fico chateado
e triste, fico com raivinha, porque fizeram algo que me deixou inseguro. Como se a segurança estivesse na ação do outro. Como se a
segurança estivesse na dependência da ação de outra pessoa.
Não tem nenhuma chance disso dar certo.
Porque as pessoas
não vão ser o que a gente espera, elas não vão. A gente não pode criar um
circulo de comportamento pros outros.
Obvio que a insegurança ela tem sua origem.
Quem nunca foi
traído, seja por namorada (o), marido, mulher, amigo, parente, pai e mãe. Todo
mundo já teve a sua confiança quebrada. E também já quebrou a confiança de
outra pessoa. Porque a gente tem a mania de se vitimar, dizendo que os outros
fazem isso ou aquilo, mas a gente também já fez alguma coisa desse gênero.
Ter a confiança partida dói. Obvio que dói. Mas dói mais porque
a gente se relaciona de uma maneira que, desde o começo, é insegura.
A gente
começa uma amizade ou um namoro e pensa que aquela pessoa, agora, é nossa. É
MEU AMIGO, MEU NAMORADO, MEU ISSO, MEU AQUILO.
Ninguém é teu.
As pessoas que nos encontram e que escolhem
caminhar conosco, escolhem fazer isso. Assim como a gente também escolhe.
Não escolhe de uma maneira totalmente livre e
descondicionada. Não, nós temos padrões mentais. Na realidade mesmo, a nossa
liberdade é bem curta. No entanto, ainda assim, em um certo ponto, escolhemos.
Mas a gente se agarra às pessoas, a gente busca nelas, a
gente espera que elas nos deem alguma coisa, que a gente na verdade nem sabe direito
o que é.
Mas podemos justificar: Tá, tudo bem, eu ‘deixo’ (eu
deixo, né? Porque a pessoa é minha então eu ‘deixo’), a pessoa bem livre pra
fazer o que ela quiser; daí descubro que eu estou sendo traído. E aí? Quem fez
papel de idiota?
Meu amigo, minha amiga, se deixou a pessoa livre e ela te
traiu, ela ia te trair igual se não tivesse a liberdade. Mais cedo ou mais
tarde ela ia fazer igual. A diferença é que com liberdade tu vai perder menos
tempo.
“Ah, mas é que eu amo muito essa pessoa, eu não quero
arriscar perder ela”. Não tem como tu perder uma coisa que não é tua! As
pessoas não são coisas. E nem são tuas.
Tua mãe não é tua; teus irmãos não são teus; teu pai não é
teu; os teus filhos não são teus. Teu namorado; tua namorada; teu noivo tua
noiva; teu marido; tua esposa: não são teus.
E olha que legal: tu não é de ninguém também. Tu é no máximo
teu, e olhe lá ainda.
Se tu gosta de alguém confia nessa pessoa.
A confiança não é
fácil de cultivar, ela é dolorida, ela é incomoda. A confiança é ansiosa. Mas
só no começo.
Quando ela desperta dentro da gente ela é leve, é fluida e
ao mesmo tempo firme, clara, aberta. A pessoa pode nos dizer que vai passar o
fim de semana viajando com os amigos nós vamos ter outras coisas pra fazer, como
trabalho da faculdade, ou trabalho normal mesmo, qualquer outra coisa. E vamos
dizer: Vai e se diverte, aproveita esse momento com teus amigos.
Mas vamos dizer isso sem ironia.
A confiança é libertadora, é gostosa, acolhedora, também é amorosa.
Viver dentro de um relacionamento sem confiança é como ficar
indo a um lugar onde te acusam de roubar o tempo todo. Toda a hora tu vai ter
que ir lá e mostrar que não roubou nada. Tu consegue imaginar uma situação
assim? Ela até pode ser suportável no começo. Mas não vai ser por muito tempo.
A gente pode até achar que um pouquinho de insegurança é bom
num relacionamento. Um pouquinho de ciúmes.
”Ai como um pouco de ciúmes é bom,
mostra que a pessoa se importa com a gente, que a gente se importa com a
pessoa, ai com e bom.”
Não, não, não mostra nada.
Mostra só que a pessoa vai, aos
poucos, te colocando dentro de um círculo cada vez mais fechado.
Pode parecer super inocente aquela briguinha por causa de
alguém do insta que tu curtiu a tua foto, ou que tu curtiu a foto. Pode parecer
que não tem nada de mais a pessoa pegar o teu celular e ficar lendo as tuas
mensagens do face... do whats... doirects do insta... do telegran... mas tem.
Sabe por que que tem? Porque isso vai gerar um hábito. É. Um
habitozinho, uma mania. E esse hábito
ele vai crescer cada vez mais. E a cada vez que ele cresce a insegurança cresce
junto.
Antes eram só as pessoas que tu tinha ali e conversava. “Por
que tu tem essas pessoas que tu não conhece? Por que tu vai conversar com elas?
Hã?”
Antes eram teus amigos que te levavam pra sair. “Ah, tu sai
com esses teus amigos, o que vocês fazem por lá? Pode acontecer um monte de
coisa, eles não são confiáveis?"
Agora é por que tu não mandou mensagem antes de sair do
serviço e quando chegou em casa. Por que
tu se atrasou quarenta, vinte, dez minutos. E não to falando só de quando a gente sofre
isso, mas de quando a gente faz isso, e de como a gente pode, a qualquer
momento começar a fazer isso também.
A gente vai justificar que são só com coisas grandes, como
ir numa balada com os amigos, ou amigas. Isso é só a entrada da nossa caverna.
Lá no fundo tem muita coisa pior, e vai bastar a pessoa começar a entrar na
caverna da nossa insegurança que a gente tentar cada vez mais aprisionar. E a
gente vai usar inúmeros artifícios para manipular as pessoas.
Mas insegurança (ela é bem malandra, ela é bem esperta) ela
não vai se mostrar só com esses comportamentos explícitos.
Quando a gente “não da bola”, quando a gente é muito “free
spirit”, muito “desapegado” sabe? Na verdade a gente tá mostrando a nossa
insegurança de outra forma. De uma forma mais fria. Porque daí a gente
aprisiona a pessoa dentro da nossa insegurança de outra maneira. Mesmo assim a
gente tá manipulando o outro. Porque não é todo mundo que vai se atrair por
esse jeito, por esse estilo de comportamento. Mas os que vão... Oh! Vão ficar
presos na nossa rede invisível de insegurança.
Porque, nesse caso, a gente da “liberdade” pra pessoa. Não
dá? Mas é de um jeito amoroso? De um jeito acolhedor e aberto? De um jeito claro?
Ou é de um jeito frio e impessoal?
Nós precisamos entender as nossas inseguranças, pois nós
temos. Nós somos muito inseguros.
Por isso vamos precisar construir em nós essa capacidade de
confiar. A gente vai precisar reduzir a nossa insegurança.
Tudo, sempre vai partir de nós.
Se nós já estivermos dentro de uma relação que vive desses
joguetes, desses joguinhos, a gente vai ter que sentar e buscar um amadurecimento
para aquele relacionamento.
Confiança tem a ver com amadurecimento. O amor tem a ver com
amadurecimento. A liberdade tem a ver com amadurecimento.
Então se a gente está dentro de uma relação que é sufocante,
que não está sendo bacana, a gente pode sentar e dizer:
“Olha, a gente precisa
parar com isso. A gente precisa dar um outro rumo para essa relação. Eu estou
me sentindo sufocado. Tu deve estar se sentindo sufocado. Não temos nossa
liberdade individual. Fazemos tudo sempre juntos, o tempo todo. A gente fica um
em cima do outro, vigiando a vida um do outro o tempo todo”.
Sabe, essa caverna para aonde a gente arrasta a pessoa, e
pra onde somos arrastados, ela nos despessoaliza. Eu deixo de ser a pessoa que
eu sou para ser alguém que o outro quer que eu seja. E eu faço o outro deixar
de ser quem ele é para ser quem eu quero que ele seja, entende?
E não que nós, ou os outros, sejamos alguma coisa pronta, uma coisa final. Estamos sempre em mutação, sempre em construção. Não somos uma identidade fechada, pronta, acabada.
Isso é um erro grave. Porque a gente começou a relação com a
pessoa, começamos pelo que ela era. A pessoa era de um determinado jeito, tinha
seus comportamentos, fazia as coisas a sua maneira. Só que essa coisas só foram
bacanas até o momento que começaram a afetar a minha insegurança.
Aí eu começo a tirar da pessoa as coisas que faziam com que
eu gostasse dela. E quando isso acontece, estamos gostando de quem? Porque
despessoalizamos totalmente aquele ser. E agora nos relacionamos com o que?
E vamos perceber que também deixamos de ser o que éramos pra
caber dentro do que o outro quer. A insegurança não permite espaço. Quando se
tem espaço, amor, confiança, a pessoa cabe dentro do nosso mundo exatamente do
jeito que ela é.
Óbvio que aqui eu estou falando de relacionamentos
saudáveis. Sem agressões físicas ou verbais. Sem violência. Relacionamentos
afetivos. Não abusivos. Mas que podem se tornar abusivos se seguirem por esse
lado.
Se tu está gostando desse podcast, tu pode compartilhar com teus amigos, com as tuas amigas, com teu crush, com tua namorada, com a teu namorado. Com qualquer um. Eu não vou reclamar nem ficar triste. Pode deixar suas dúvidas, sugestões, criticas, aqui mesmo no blog ou nas minhas redes sociais, os links estão disponíveis, do lado direito do blog. Se não estiver pelo blog, é só pesquisar, no Facebook ou no Instagran por Padma Wanchen. Esse conteúdo está disponível em forma de texto, para os nossos queridos irmãos e nossas queridas irmãs surdos e surdas. Ah, não se esquece de assinar o blog. Assim tu vai ficar sabendo das novas postagens. Em breve teremos, também, um vídeo no YouTube.
Então se a gente já está dentro de uma relação, a gente pode
sentar e ter um diálogo sobre isso. A pessoa pode gostar das coisas dela e tu
das tuas. A pessoa pode ter os amigos dela e tu os teus. Cada um com seu tempo
e seu espaço para cada um ser quem é. Se a gente gosta daquela relação, se
prezamos por ela, vale a pena o esforço. Vale a pena fazer isso.
Não vai ser uma coisa fácil. Porque a gente tá bem
agarradinho, dormindo de conchinha, com o nosso sofrimento. Best friends forever.
Porque isso, esse tipo de relação, é sofrimento puro, gente.
No começo de um
relacionamento novo, vamos precisar construir essa confiança também.
Daí a
gente já entra nele com um olhar diferente. Já entra percebendo o outro,
percebendo nós mesmos. Alertas pra qualquer comportamento inseguro que a gente
tenha, que o outro possa estar manifestando. E trabalha a partir disso.
Trabalha as nossas emoções. Percebendo elas.
Insegurança é um sentimento que, de uma maneira ou outra,
cultivamos. Precisamos cultivar outros sentimentos que vão eliminar a
insegurança e a falta de confiança.
No começo de uma nova
relação podemos abrir mão de uma coisa aqui, de uma coisa ali. NO COMEÇO.
Sempre tendo diálogo sobre os limites. Sobre os seus limites. Sobre os limites
do outro.
A gente tem que entender as pessoas e ajudar elas a andarem
melhor. Precisamos ser gentis conosco e com o outro. Vamos ter vários limites,
mas esses limites vão desaparecendo aos poucos. E quando der aquele friozinho na
barriga de insegurança, aquela vontade de não confiar, a gente respira fundo e
não faz nada.
Vamos desenvolver a confiança. Talvez ninguém, nunca, tenha te
ajudado a desenvolver confiança. Talvez ninguém tenha ajudado a pessoa com que
tu vai te relacionar, a desenvolver confiança. Talvez as pessoas só tenham
tirado. Mas podemos construir uma relação saudável, se quisermos.
A gente não precisa se sentir totalmente ofendido,
manipulado, controlado, enquanto ajudamos outra pessoa. Não precisamos nos
sentir assim por abrir mão de certas liberdades, para ajudar a outra pessoa e
construir uma relação saudável com ela.
Não vamos abrir mão de nada para sempre, vamos apenas impor
limites a nós e ao outro também, enquanto expandimos o nosso coração, juntos.
E, aos poucos, essas limitações serão postas de lado. É
natural. Porque os dois vão buscar uma relação de confiança, não de
insegurança.
Só que vamos ter que lidar de um jeito ou de outro com a insegurança. A gente pode fazer o outro reprimir a dele. Podemos reprimir a nossa. Mas aí não é inteligência emocional. É sufocamento emocional. A gente abre mão de uma coisa, por um tempo, pra nunca mais precisar abrir mão de nada, nem da relação.
A gente pode entrar na caverna das pessoas e dar uma olhada
lá dentro, ver como é que é lá. A gente vai ajudando a pessoa a sair. Com diálogos,
com conversas, com acordos dentro do relacionamento.
Construir é difícil. Mas se vale a pena, precisa de um esforço.
Relevar brigas, provar nossa inocência. Não precisamos nos ofender tanto com as
coisas.
E estipular, na nossa mente, um tempo para que essa
confiança surja. Podemos, no fim desse tempo ver se temos algum progresso.
Trabalhar no que está difícil. Persistir. Mas temos que ser sinceros quanto aos
sentimentos. Se você não consegue, de forma nenhuma, confiar nessa pessoa, ou
se ela não consegue, de jeito nenhum mesmo, confiar em você. Uma despedida
amiga é um ato de bondade com todos.
Quanto tempo tu acha que é necessário pra construir uma
relação de confiança com alguém?
Leva, mesmo, uma vida inteira? Será que as coisas são assim
ou nos ensinaram assim?
Tira um tempinho pra pensar o que, de fato, tu espera dentro
de um relacionamento, de um casamento?
Pensa sobre isso um pouco.
Pensa no que tu espera que o OUTRO possa te dar. Quais são os
limites que TU está dando para as outras pessoas?
Elas podem, ou devem suprir
as TUAS inseguranças?
Elas têm que te deixar seguro?
Responde isso pra ti.
E se quiser pode compartilhar as tuas responsas,
compartilhar a tua opinião, aqui no blog, ou nas redes sociais, como já disse.
Se gostou desse
conteúdo, compartilhe.
Eu sou Padma
Wangchen e esse foi o nosso Tema Gerador.
Até mais e sempre
em frente.
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